Todos aqueles que têm cães sabem que há sempre aquela gloriosa tarefa de os levar a passear para poderem fazer as suas necessidades. Esta noite para mim não foi excepção e lá tive que os levar a passear.
Desde que o meu namoro acabou nunca mais tinha ousado fazer um certo percurso que me traz recordações ainda dolorosas mas esta noite senti o meu coração a impelir-me a tomar essa direcção e percorrer cada metro dessa 'via dolorosa'. Não resisti e assim o fiz.
Cada passo era marcado pela memória daquelas noites de Setembro em que, de telemóvel ao ouvido, fazia juras de amor e ouvia promessas de amor eterno. De olhos no chão, recordava alguns desses momentos que, em tempos, me aqueciam o coração. Agora, sentia um nó na garganta ao recordar essas pequenas frases.
Dei por mim na curva de uma rua a olhar as pedras da calçada molhadas pela chuva. Na mesma curva onde costumava parar para falar com a minha namorada durante tempos mais prolongados, naquela curva onde tive tantas e tão boas conversas. Ali estava eu, encostado a um muro, em meio à rua deserta.
À minha direita estava a rua plana da qual eu tinha vindo mas que não conseguia ver por causa de um carro que ocupava o meu campo de visão. À minha esquerda a rua a subir por onde eu poderia ir. De repente percebi o que não tinha visto até aí. Aquela curva era como a minha vida. De um lado, a vida que vivi, plana, de outro lado, a vida que poderia viver, com dificuldades, mas sempre a subir e eu, no meio, indeciso sobre para onde ir.
Reparei que tinha uma decisão a tomar. Voltaria atrás, para uma vida plana que não poderia voltar a ser como era por causa daquele obstáculo que a tapava ou seguiria em frente, para uma vida de dificuldades mas sempre em crescendo?
Finalmente decidi: seguir em frente era a melhor solução, apesar de saber que, para além da dificuldade da subida, alguns metros à frente me encontraria com dois pastores alemães que não estariam propriamente felizes com a passagem do meu cão. Apesar da dificuldade do percurso, estava na hora de seguir em frente.
Assim o fiz, consciente de que não era apenas uma decisão sobre que rua seguir mas também era uma decisão sobre que percurso na vida gostaria de traçar. Assim, pela primeira vez desde que recomecei a escrever no meu blog vou dizer clara e abertamente: está na hora de seguir em frente, Lara Andreia. Está na hora de te deixar para trás e esquecer-te.
Sei que já devia ter tomado esta decisão há muito tempo, mas ainda não tinha sido capaz de o fazer. Agora sei que a vida não é plana mas sim a subir, com dificuldades, mas sempre em crescendo, porque um dia chegaremos ao topo, olharemos cá para baixo e saberemos que subir foi a melhor decisão que já alguma vez tomamos...
Sem comentários:
Enviar um comentário