segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Let our ordered lives confess...

Perdão. Que palavra tão pequena para o conceito que simboliza. Sim, porque, neste mundo cheio de ódio e rancor, em que a palavra vingança toma conta de muitas situações, torna-se cada vez mais difícil pronunciar esta palavra, quanto mais pô-la em práctica.

Como cristão, no entanto, o perdão é um conceito chave. Direi mesmo que é das poucas coisas que Deus nos exige que façamos. A parábola do Rei que perdoa o seu servo devedor é um exemplo disso mesmo, dessa obrigação que Cristo nos transmitiu.

Mas eu pergunto-me: será que devemos perdoar tudo? Será que, por não conseguir perdoar algo muito mau que me fizeram deixo de ser um bom cristão? A verdade e o que me preocupa é que eu sei que a resposta a estas questões é sim.

Por outro lado, sei que tudo começou porque alguém não me perdoou a mim um erro e, por causa disso, passei por muita coisa. Agora a pergunta é: devo eu perdoar a quem não me perdoou e não esboçou sequer um pequeno pedido de desculpa?

É que o perdão só nos é concedido quando reconhecemos que erramos e eu sei que, neste caso, isso nunca vai acontecer... Não se trata de alguém que veio falar comigo (até porque nunca mais falei com essa pessoa), reconheceu que errou e eu tenho que tomar uma decisão. Aqui trata-se de deixar de culpar alguém que me fez mal.

No entanto, tenho quase a certeza que, se algum dia, essa pessoa me pedir perdão eu não serei capaz de perdoar pela dor que me foi infligida e que era evitável se eu tivesse sido perdoado.

A questão aqui é: não estarei eu a ser como o servo devedor quando não perdôo ao meu irmão? Será que o Rei me perdoará a mim nestas condições? Como é que mostro Cristo reflectido em mim? É um dilema quando não sabemos como confessar a palavra através da aplicação do conceito...

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