Fazem-se juras de amor eterno. Compram-se prendas especiais para a nossa cara metade. Faz-se um jantar romântico. Partilham-se momentos especiais. Mais uma vez chegou o dia dos namorados, religiosamente baptizado de dia de São Valentim. Mais uma vez se fazem os mesmos rituais dos anos passados, mesmo que a pessoa com quem estamos não seja a mesma com quem parilhamos os mesmos momentos especiais e à qual fizemos as mesmas juras de amor eterno há um ano atrás.
Já eu volto a passar este 14 de Fevereiro sozinho, tal como nos últimos 22 anos. E talvez por isso, quando olho para este dia não posso de sentir um desprezo e um sentimento de superioridade em relação aos apaixonados. Sim, porque, com a frieza que a distância me permite sentir, olho para os rituais repetidos e vejo neles um vazio de significado. Sei perfeitamente que o amor eterno o é até a paixão desaparecer e isso acontece mais cedo do que pensamos. Sei perfeitamente que as prendas oferecidas são apenas desperdício de dinheiro. Sei perfeitamente que os momentos especiais são tão especiais com aquela pessoa como com qualquer outra pela qual estejamos apaixonados. Por isso, prefiro olhar para o dia dos namorados como um dia em que arranjamos mais uma desculpa para festejarmos do que um dia verdadeiramente especial, que não o é.
Não se iludam: o amor eterno não existe e a pessoa especial é tão especial como qualquer outra (como dizia alguém, o mundo está cheio de pessoas especiais). Calculo que, à medida que passam os vossos olhos por esta crítica estejam a pensar: "este tipo é um céptico". Garanto-vos: não sou céptico, sou apenas alguém que sente saudades do tempo em que era como vocês. Como diz o Pedro Abrunhosa: não posso mentir, que as lágrimas são saudades do beijo.
Feliz Dia dos Namorados!
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