domingo, setembro 14, 2008

Carta a um ser moribundo

Agarro-a e sinto o seu
Corpo trémulo nas minhas mãos.
A vida parece querer partir,
E ela apronta-se para desistir.

Pego nela ao colo
E os seus olhos cansados,
Quase semi-cerrados
Dizem-me adeus.

Naquele momento sei,
Com toda a certeza,
Que a sua hora chegou;
A sua vida terminou.

Não sei o que sentir:
Alívio ou depressão?
Tenho as lágrimas nos olhos
E nas mãos, o coração.

Esbracejo, debato-me.
Não! Não pode ser!
Não podes ir embora,
Contigo tantas coisas há a fazer!

Ergo os meus braços
E, num movimento rompante,
Peço a Deus, que está nos ceús,
Que termine aquele sofrimento incessante.

Mas a Sua decisão tomada está
E num breve momento de paz,
Sinto o folêgo da vida sair
E sei: já nada me satisfaz.

Chegou o fim, aquele é o momento
Em que tudo sobre mim se abate.
Terminou, enfim cessou,
Aquela vida, vida de traste.

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