É oficial: em quatro dias limpei toda a segunda temporada da Anatomia de Grey. Foram 27 episódios, mais os extras do dvd, que passaram rapidamente, muito rapidamente, mas que ainda me deram algum tempo para reflectir.
Uma das coisas em que reflecti foi o porquê de nós, humanos, nos sentirmos (na generalidade) atraídos por coisas assim: séries, programas, novelas, filmes e todo o restante lixo que jorra fluentemente daquela caixinha mágica que dizem que mudou o mundo à qual damos o nome de televisão.
Um dos motivos pelo qual eu preferi passar o meu tempo livre dos últimos dias (que, como se devem ter apercebido, foi bastante) em frente da tv foi o facto de me poder desligar de todas as outras coisas, de todos os outros problemas e obter algo que me distraísse. E a sensação que eu experimentei pode-se comparar a uma ligação directa entre a minha mente e a televisão. Foi como se eu puxasse um cabo da minha nuca e o ligasse na parte de trás da tv e nada mais importasse.
O que me surpreendeu foi a facilidade com que o fiz. Uma facilidade de concentração no enredo que nunca encontrei em mais nenhum lugar.
Comparem, por exemplo, com a leitura de um livro: começamos a ler um livro acabadinho de comprar, com aquele cheiro tão característico de livro novo. O enredo entretem-nos, mas se há um pouco mais de ruído, começa a ser complicada a tarefa de manter a concentração. Ou então, se vamos pesquisar alguma coisa na internet, também facilmente somos desviados do nosso objectivo inicial (se não concordam, tentem pesquisar sobre um tema que não conheçam muito bem na Wikipédia). Na televisão, isso não acontece. Estamos parados à frente de um aparelho que nos prende a atenção e do qual só obtemos aquilo que ele nos dá. Não somos desviados para outros canais; se há um pouco mais de barulho, aumentamos o volume...
É isto que nos cativa: a distracção fácil. O ser humano é um ser que gosta de facilitar as coisas. Temos sempre tendência a facilitar a linguagem, as nossas tarefas, as nossas refeições e, claro, as nossas distracções. É que ler um livro, não é para qualquer um: demora tempo, exige concentração e interesse pelo objecto de leitura, pede-nos dedicação (sobretudo, se for um romance bem extenso), etc. Mas a televisão não nos pede nada, não nos exige nada e não demora tempo (a menos que queiram ver toda uma série em quatro dias).
É o entretenimento fácil: ligar a nossa mente à caixinha e deixar que ela faça tudo por nós. Somos transportados a novos mundos onde nos podemos perder, deixando para trás tudo o que nos aflige. É claro que, se o objectivo é esse, a televisão enche-nos as medidas, mas não podemos aceitar que seja sempre assim. Não podemos aceitar ser controlados por um aparelho inanimado que só ganha vida quando carregamos no botão 'On'...
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