terça-feira, novembro 20, 2007

Carrossel (pouco) divertido

Primeiro é a tristeza.

Diz quem sente que não há nada comparável à perda de alguém querido. Nada nem ninguém pode explicar o que se passa nas nossas mentes quando ficamos privados de estar com aqueles de quem mais gostamos para sempre. Inicia-se um ciclo de emoções que vão passando pelas nossas mentes sem parar, sempre sucedidas por algum outro sentimento.

Este carrossel inicia-se com a tristeza, que dá lugar à revolta, que, por sua vez, dá lugar à raiva. Três emoções que se sucedem à velocidade da luz e sobre as quais nada nem ninguém tem controlo. E quando nós perdemos o controlo das nossas emoções pensamos que estamos malucos. Sabemos que nunca passamos por algo assim e perguntamo-nos o porquê de reagirmos desta maneira.

Enventualmente, o carrossel pára e nós podemos sair. Descer para o degrau da aceitação. Compreendemos que não há nada a fazer, que simplesmente não vamos poder voltar atrás e nunca mais veremos essa pessoa. Que os momentos que passámos com ela nos ficarão sempre na memória mas que nunca poderemos voltá-los a viver.

É então que compreendemos que nos temos de afastar deste carrossel demoníaco que nos parece puxar para si. É então que compreendemos que temos que lutar com todas as forças para darmos uns passos em frente e deixarmos de estar no seu poder de atracção. É então que nos libertamos e substituímos todas as outras emoções pelo sentimento que, no fundo, acalenta toda a nossa experiência de vida: a saudade. A saudade que nos permite guardar os nossos entes queridos bem perto do coração. A saudade que nos permite olhar para trás e esquecer todos os momentos maus, todas as dificuldades e todas as complicações para apenas lembrarmos os momentos bons; os momentos em que nos sentimos realmente perto dessa pessoa; os momentos em que a vida nos sorriu de forma espectacular; os momentos que permitiram que alguém sentisse que nós fomos especiais na sua vida.

Nesse momento esquecemos a tristeza e substituímo-la pelo orgulho. Orgulho de termos sido queridos por alguém. Alegria de alguém ter sido querido para nós.

Custa chegar a este estado, mas a vida é assim.

Por fim, a alegria.

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